O que é?

É a forma normal para que ocorra o nascimento (e, portanto, a melhor). A maioria das mulheres consegue ter o parto normal, mas nem sempre é tão simples assim. Várias angústias estão envolvidas e diversas inseguranças devem ser esclarecidas.

“Será que terei tempo de chegar à maternidade? E se tiver muito trânsito?”. Essas e muitas outras dúvidas podem surgir e vários fatores que são imprevisíveis acompanham o parto.

É importante que a gestante saiba que o trabalho de parto é longo, podendo chegar em média a durar de 6 a 12 horas, tempo suficiente para chegar à maternidade.

É importante a gestante ter conhecimento sobre quais as principais indicações para procurar a maternidade, que são:

Contrações Uterinas

12 contrações uterinas no período de 1 hora, ou seja, o útero endurece e ocorre uma cólica no baixo ventre que pode durar de 30 a 40 segundos até 1 minuto, sendo uma média de 1 contração a cada 5 minutos. Este processo é progressivo sendo que o intervalo entre as contrações vão diminuindo e a intensidade vai aumentando.

Bolsa Rota

Quando a bolsa rompe ocorre saída de grande quantidade de líquido pela vagina, em geral molha a roupa e escorre pelas pernas (diferente do corrimento que apenas deixa a calcinha úmida).

Sangramento

A presença de sangue via vaginal pode refletir apenas a dilatação do colo do útero, mas algumas vezes pode ser devido ao descolamento prematuro da placenta ou devido a placenta prévia. Portanto, é importante procurar o hospital.

Após essa primeira dúvida vem o questionamento “Será que vou suportar a dor?”. Este medo é comum, mas a natureza foi sábia dando período de alívio entre uma contração e outra. Caso a evolução do trabalho de parto for favorável, houver boa dilatação do colo e a descida da cabecinha do bebê é possível aplicar uma analgesia no momento que a parturiente não suportar mais as contrações. Esta analgesia é realizada na sala de parto por anestesista, sendo uma raquidiana combinada com anestesia peridural. O procedimento é feito com agulha introduzida nas costas na região lombar e o líquido anestésico é injetado no espaço correto. Depois, é deixado um cateter no espaço peridural e se houver necessidade de mais medicamento para aliviar a dor este pode ser injetado por esse cateter.

Geralmente a mulher está preocupada com a dor e algumas coisas podem ajuda-la a relaxar, como um banho quente, massagem nas costas ou mesmo a analgesia. Enquanto isto o obstetra deve avaliar o ritmo e eficácia das contrações, a dilatação do colo uterino e a descida da cabecinha do bebê no canal de parto. Atenção especial é dada para o bem estar fetal avaliando a freqüência cardíaca fetal periodicamente. Se tudo estiver sob controle a conduta é aguardar com paciência a evolução do parto. O obstetra deve ficar ao lado da parturiente acompanhando a evolução normal do parto sem necessidades de manobras, intervenções ou medicações.

Contudo, se a evolução do trabalho de parto for desfavorável e com contrações irregulares, o obstetra pode intervir com medicamentos que regulem as contrações, ou se a dilatação não está progredindo como o esperado, às vezes há necessidade de realizar a ruptura artificial da bolsa d’água. Se durante o processo a cabecinha fetal não descer no canal de parto ou a freqüência cardíaca fetal diminuir, apesar do processo estar numa fase avançada, em algumas circunstância devemos abandonar a tentativa do parto normal e indicar uma cesariana para salvaguardar o bem estar fetal e materno. Essa decisão tem que ser tomada de forma rápida e costuma ser frustrante pra mamãe. Assim, até a última fase do trabalho de parto não dá para garantir que este será normal.

Voltando ao parto normal com evolução favorável chega o momento final que é o período expulsivo, momento que a parturiente ajuda fazendo força para que ocorra o nascimento. Neste momento o períneo deve ser avaliado. Se ele apresenta boa elasticidade não é necessário realizar uma incisão para ampliar o canal de parto. Entretanto, se o bebê é grande e a possibilidade de ocorrer uma laceração dos tecidos do períneo é grande é preferível realizar uma incisão ampliadora (perineotomia) para prevenir sequelas futuras.

Enquanto o bebê fica sobre o ventre materno o cordão umbilical é seccionado. Após alguns minutos o recém-nascido é entregue para o pediatra neonatologista para os primeiros cuidados. A placenta é dequitada e o obstetra revisa o canal de parto e realiza alguma sutura que seja necessária.

Sempre que possível estimulamos a amamentação na primeira hora de vida.

O pós-parto (puerpério) é mais tranqüilo quando comparado à cesárea. O período de internação no parto normal é em geral dois dias, enquanto na cesárea são três dias. O retorno às atividades também é mais rápido após o parto normal, pois a paciente tem facilidade de locomoção e está mais confortável para cuidar do bebê. Na cesárea existe um pouco mais de desconforto o que limita alguns movimentos, no entanto, com os analgésicos e a técnica cirúrgica aprimorada este comprometimento em geral é pequeno.

Uma preocupação após o parto normal é em relação a flacidez do períneo e o risco de incontinência urinária. Estes problemas podem ser prevenidos no pré-natal através de exercícios perineais que podem ser orientados por uma fisioterapeuta especializada nesta área.

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